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Bitget avança no ‘vácuo cripto’ com estratégia de inclusão e gameficação | Criptomoedas

Uma das poucas mulheres poderosas no universo dos criptoativos, Gracy Chen, comanda a Bitget, hoje uma das plataformas de ativos digitais que mais avança no vácuo deixado pela saída da americana FTX, em recuperação judicial há um ano, e por corretoras que perderam mercado em meio à desconfiança dos investidores e a problemas com os reguladores.

Com domicílio nas Ilhas Seychelles, a Bitget iniciou suas atividades em 2020, no início da pandemia, com uma aposta no que chama de “social trade”, que funciona como uma rede social em que os usuários se inspiram – ou mesmo copiam, daí o nome “copy trade” – nas estratégias de negociação de operadores mais experientes e de melhor performance.

“Desde nosso lançamento, o copy trade já atraiu mais de 110 mil operadores de elite que compartilham suas estratégias e mais de 570 mil seguidores para copiar. É uma estratégia inclusiva, que apresenta o mundo cripto e de blockchain para os mais jovens e que permite que iniciantes vejam o comportamento dos veteranos”, disse Chen ao Valor.

Em três anos, a estratégia levou a Bitget a mais de cem países, onde soma 20 milhões de usuários – sendo 8 milhões da carteira digital BitKeep, de aplicações descentralizadas, comprada em março por US$ 30 milhões. Segundo o Coingecko, que reúne dados das negociações, a plataforma negocia o quinto maior volume de derivativos, atrás apenas de Binance, Deepcoin, OKX e ByBit. Nos negócios à vista, figura entre os nove e dez maiores do mundo.

Para atestar resiliência financeira após o colapso da FTX, a Bitget divulga prova de reservas, hoje de 231% dos ativos, e conta com um fundo de proteção de US$ 300 milhões para cobrir eventuais falhas.

A Bitget não tem sede física e atua com uma estrutura descentralizada, do tipo “trabalhe em qualquer lugar”, com cerca de 1,5 mil colaboradores nos EUA, Europa, Oriente Médio e Ásia.

As mulheres não têm medo de compartilhar opiniões, insights e conselhos honestos”

— Gracy Chen

Na América Latina, a Bitget chegou no início de 2022 e tem 200 funcionários no Brasil, México e Argentina. Segundo a executiva, a operação brasileira é pequena, mas desponta como uma das de maior crescimento no mundo. “O Brasil é um dos mercados mais proeminentes para a Bitget. O país apresentou crescimento de 160% no número de usuários ativos e de 180% no volume de negócios no primeiro semestre. A Bitget planeja dobrar os números para o Brasil e a América Latina até o primeiro semestre de 2024”, disse.

A executiva, chinesa de nascimento, tem 32 anos, estudou matemática na Universidade de Cingapura, e trabalha a maior parte do tempo de Boston (EUA), onde mora com o filho de quatro anos e faz MBA em administração no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Antes de estrear no mundo cripto, foi jornalista da Phoenix TV, cofundadora da startup chinesa Accumulus, de gestão de pessoas, e da gestora ReigVR, de venture capital.

A executiva encara o fato de que a indústria cripto, como o mercado financeiro em geral, é dominado por homens, não apenas entre os investidores, mas também na força de trabalho e consumidores.

Segundo Chen, 40% da força de trabalho da Bitget é de mulheres, o que, segundo ela, traz variedade de ideias, opiniões e pontos de vista que ajudam a empresa a competir melhor em produtos e serviços. Entre os usuários, a presença feminina fica entre 10% e 15%.

“É um fato. As investidoras têm uma perspectiva financeira mais sóbria e, por isso, podem estar menos dispostas a investir em ativos de risco. A falta de confiança também explica a falta de liderança feminina nesta indústria. Há muito trabalho a ser feito para melhorar esses números.”

Divorciada, a executiva conta que tem apoio da família e de funcionários contratados, como babá, para poder se dedicar à carreira e aproveitar melhor o tempo com o filho em tarefas que exigem mais sua presença como educação e lazer. “Tenho experiência em primeira mão de como o envolvimento e a liderança feminina ajudam a empresa de diversas maneiras, incluindo um ambiente de trabalho mais positivo e produtos melhorados. As mulheres não têm medo de compartilhar opiniões e insights, sempre oferecemos conselhos honestos, úteis e apoio aos outros.”

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