Câmara Municipal de São Paulo decide nesta terça-feira se cassa Camilo Cristófaro por racismo | Política – Finanças Global On

Câmara Municipal de São Paulo decide nesta terça-feira se cassa Camilo Cristófaro por racismo | Política

A Câmara Municipal de São Paulo deve julgar nesta terça-feira (19) o vereador Camilo Cristófaro (Avante), acusado de quebra de decoro parlamentar ao fazer uma declaração racista. A tendência é que Cristófaro seja cassado, segundo lideranças partidárias.

Camilo Cristófaro foi flagrado em maio de 2022, em uma sessão da CPI dos aplicativos, na Câmara Municipal, dizendo a frase racista: “Eles lavaram e não lavaram a calçada. É coisa de preto, né?”. A sessão era híbrida e o vereador, à distância, não percebeu que o microfone estava aberto. Caso a cassação se confirme, será a primeira da história da Câmara Municipal de São Paulo por racismo.

O caso será julgado em plenário, em sessão marcada para começar às 15h. Grupos antirracistas e movimentos populares organizam protestos contra o parlamentar na Câmara.

Os vereadores abriram um processo contra Cristófaro na corregedoria, mas o caso ficou parado por cerca de um ano. No mês passado, no dia 21, o relator do caso na corregedoria, Marlon Luz (MDB), protocolou um pedido de cassação de Cristófaro por quebra de decoro parlamentar, e a maioria dos integrantes da corregedoria acompanhou o relator.

No relatório, Marlon Luz disse que Cristófaro acredita que existem “seres humanos superiores a outros” e que “as pessoas negras são necessariamente encarregadas de executar trabalhos manuais e que sua suposta ineficiência está relacionada à sua etnia”. O relator afirmou que “manifestações preconceituosas” representam quebra de decoro parlamentar e que, embora a perda de mandato seja uma medida extrema, ela se mostra “completamente necessária” para preservar a integridade da Câmara e “garantir a responsabilidade ética” dos vereadores.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara validou o processo e agora o pedido de cassação do mandato de Cristófaro será votado em plenário. Para perder o mandato, é preciso o apoio de ao menos 37 dos 55 vereadores (dois terços do total) Lideranças partidárias calculam que já tem mais de 40 votos a favor da cassação.

No fim do mês passado, Cristófaro divulgou um vídeo para se defender e disse que sua declaração “fora de contexto, de dois segundos” não é suficiente para cassar seu mandato parlamentar. “Estão querendo me cassar e eu pergunto: o que vale mais? Uma frase fora do contexto de dois segundos, ou os milhares de obras que eu me dedico às comunidades mais carentes dessa cidade?”, afirmou o vereador, sobre a fala racista.

“Por onde eu ando nessas comunidades, me tratam com respeito e carinho”, disse o vereador, no vídeo. Cristófaro afirmou ainda que “melhora a vida das pessoas”, lembrou que foi inocentado pelo Judiciário em primeira instância e reiterou que “uma palavra fora de contexto” pode tirar o “trabalho de vereador que luta por tudo e por todos, pelos mais humildes”. “É muito triste”, disse.

O vereador foi procurado pelo Valor, por meio de sua assessoria, e não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

No relatório apresentado na corregedoria contra Cristófaro, Marlon Luz registrou que não é a primeira vez que o parlamentar tem um comportamento inadequado e citou outros dois casos de injúria racial contra vereadores.

Cristófaro já chamou o vereador Fernando Holiday (PL) de “macaco de auditório” e gravou um vídeo para criticar George Hato (MDB), de ascendência asiática, realizando “um gesto pejorativo, puxando os olhos com as mãos”. Há também denúncias de agressão a um funcionário de 62 anos da Câmara, e ameaças a George Hato e a então vereadora Isa Penna, a quem chamou de “vagabunda” e “terrorista”.

A vereadora Luana Alves (Psol), que entrou com a representação contra Cristófaro na corregedoria, lembrou que “racismo é crime” e afirmou que uma declaração como essa é uma “vergonha institucional” para a Câmara.

O caso também está no Judiciário. Em julho, o vereador foi absolvido, em primeira instância, pelo juiz Fábio Aguiar Munhoz, da 17ª Vara Criminal de São Paulo, que avaliou que a fala do parlamentar foi “extraída de um contexto de brincadeira, de pilhéria” e que não tinha um “contexto de segregação, de discriminação”. O juiz disse ainda que era preciso provar a “vontade de discriminar” e que não bastaria “recortar as falas do contexto”. O Ministério Público recorreu da decisão.

Quando foi absolvido em primeira instância, afirmou que a decisão do Judiciário de absolvê-lo representa uma vitória “da justiça e da verdade”.

Vereador Camilo Cristófaro em sessão da Câmara, em fevereiro de 2020 — Foto: Afonso Braga/Câmara de São Paulo
Vereador Camilo Cristófaro em sessão da Câmara, em fevereiro de 2020 — Foto: Afonso Braga/Câmara de São Paulo

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