Depois do Twitter, Felipe Neto diz que vai se afastar do YouTube | Empresas

O influenciador digital Felipe Neto disse que vai se afastar por dez dias de seu canal no YouTube para repensar conteúdos e estratégias de monetização. Em vídeo publicado, neste sábado (30), no seu canal, Neto afirmou que não tem mais contrato de patrocínio com a Blaze, site de apostas e cassino virtual, e disse que a “luta contra o bolsonarismo” afetou as finanças da NetoLab, empresa controladora do canal de vídeos do YouTube. Há uma semana, Neto havia anunciado que se afastaria do X (antigo Twitter).

Um dos principais influenciadores do país, com mais de 45 milhões de seguidores, Neto publicou um vídeo de quase 13 minutos no YouTube, chamado “Até Logo”, no qual pediu desculpas aos integrantes e seguidores do canal por não ter publicado dois episódios da terceira temporada da “Saga Minecraft”, uma série baseada em partidas no jogo online Minecraft. Ele contou que perdeu muitos patrocinadores, chegando a ter “zero” receita ao se opor a Jair Bolsonaro.

O vídeo tinha mais de 500 mil visualizações no fim da tarde deste sábado.

Neto contou que está em negociação com outros patrocinadores para o canal e afirmou que nos últimos quatro a cinco anos, a vida dele foi de muita pancadaria pública, em referência a posicionamentos políticos contra o então presidente Jair Bolsonaro.

Nas eleições, Neto posicionou-se como aliado do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Os embates públicos contra Bolsonaro e seus seguidores, segundo ele, causou abalos a ponto da receita com patrocínios chegar a zero. O influenciador não revelou no vídeo quantos patrocinadores perdeu nos últimos anos.

Neto afirmou que enquanto outros influenciadores fizeram muitas campanhas em redes sociais, como o Instagram, ele fez “zero campanha”, já que muitas empresas não queriam associar imagem “a um cara que estava sendo odiado por 25% dos eleitores”.

“Eu meio que virei um ícone nesta luta política, mas nunca busquei isso, nunca quis ser esse ícone. Ser esse ícone não me prejudica. Não me arrependo das coisas que eu fiz, da luta que travei contra o regime bolsonarista e tenho certeza de que fomos vencedores no fim das contas (…) esse desgaste da minha vida pública fez com que o canal despencasse em patrocínios”, disse Neto.

Ele prossegue: “Criaram em mim essa imagem de ódio porque enfrentei o bolsonarismo. Não é pelo que eu sou, é pelo papel que eu representei nessa luta política”.

Com a queda de receita, mesmo com altos números de engajamento, Neto disse que se viu obrigado a readaptar a forma de produzir conteúdos e “fazer com que as engrenagens da empresa continuassem funcionando”.

Ele destacou que produz conteúdo porque “é o que sei o que fazer, o que gosto de fazer” e que não se vê inativo, mas vem buscando encontrar soluções para se ver “desafiado”. Disse também que embora goste de produzir conteúdos sobre os jogos on-line, nos quais ele joga e transmite ao vivo para os seguidores, a elaboração dos vídeos apresenta despesas “colossais”.

A “Saga Minecraft”, afirmou, é um dos conteúdos de que mais gosta de fazer e que o deixa desafiado, mas ele avalia que em outros conteúdos, percebe que “gravo vídeos porque tenho que gravar”.

Neto vai para Portugal assistir jogos do Porto pela Champions League e passar uma semana com sua mãe, que está morando naquele país desde que o influenciador e sua família sofreram ameaças.

A NetoLab, dona do canal de Felipe Neto no YouTube, tem outros negócios, como uma loja virtual na qual vende camisetas temáticas e um programa de membros do canal, uma espécie de assinatura mensal, na qual quem adere tem acesso a conteúdos exclusivos.

Felipe Neto também é sócio na Play9, plataforma e produtora de conteúdos digitais junto com João Pedro Paes Leme, ex-executivo da Rede Globo e Marcus Vinícius Freire, ex-dirigente do Comitê Olímpico Brasileiro.

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