Cotada para ser acionista de referência da Sabesp, Votorantim olha para negócios em saúde e infraestrutura | Empresas

O grupo Votorantim entrou no setor farmacêutico em 2023, com a compra de 5% de participação na Hypera, e vê espaço para novos investimentos na área de saúde. “Como investidores, estamos olhando para saúde de forma ampla”, afirma o presidente da companhia, João Schmidt.

O executivo afirma que novas oportunidades devem surgir ao longo do tempo. “É um setor que vai ter consolidação”.

Infraestrutura é outra área que interessa ao grupo, formado atualmente por 12 negócios. A Votorantim está entre as cotadas para ser acionista de referência da Sabesp, quando o governo de São Paulo fizer a oferta pública subsequente de ações (“follow-on”), esperada para julho.

“O volume de oportunidades no setor de saneamento é muito importante, estamos sempre avaliando possibilidades”, diz Schmidt, sem comentar empresas específicas nas quais poderia ter interesse.

A estratégia é equilibrar a presença em commodities, principalmente metálicas, com investimentos em infraestrutura e áreas ligadas a ela, conta o diretor-financeiro Sergio Malacrida. Já fazem esse contraponto a Votorantim Cimentos, a CCR (na qual tem 10% de participação), a Altre, de projetos imobiliários, e a Auren, de energia renovável.

Há ainda investimentos previstos para os negócios já existentes. A Votorantim Cimentos, líder do setor no Brasil, divulgou fato relevante, em fevereiro, confirmando que fez uma proposta para comprar ativos da InterCement, cimenteira do grupo Mover (antigo Camargo Corrêa), que está à venda. O Valor já havia apurado que a companhia teria feito um consórcio com duas cimenteiras menores, Polimix e Buzzi, para comprar os ativos. Schmidt não quis comentar.

A InterCement também deve vender sua operação na Argentina, a Loma Negra. Perguntado se haveria interesse no ativo, o presidente da Votorantim afirma que isso não faria sentido do ponto de vista concorrencial, porque a VC já tem uma plataforma de cimento no país.

Ainda na Argentina, a holding possui a siderúrgica Acerbrag. Segundo Malacrida, é uma planta “bastante competitiva”, que suporta os solavancos do país vizinho. “Você cria resiliência com o tempo”.

Dos negócios da Votorantim, sete possuem capital fechado. A Votorantim Cimentos costuma aparecer entre as cotadas para IPOs, mas Schmidt afirma que o momento do mercado não é favorável para discussões nesse sentido.

IPO “sempre está na mesa”

“A empresa está em situação saudável e muito focada na execução do seu plano”, diz. A Votorantim Cimentos anunciou um plano de R$ 5 bilhões em investimentos até 2028. Ainda assim, o presidente diz que o IPO é um tema que “sempre está na mesa”.

Outro ativo que poderia passar pelo processo é o BV (antigo Banco Votorantim).

Efeitos não-recorrentes e commodities derrubam lucro

O lucro líquido do grupo Votorantim caiu 67,3% em 2023, de acordo com o balanço divulgado nesta terça-feira (2). Malacrida afirma que houve uma sequência de efeitos extraordinários, em 2022 e no ano passado, que impactaram de forma positiva o balanço anterior e de forma negativa os resultados de 2023.

Em 2023, a Auren teve o reconhecimento de pagamento de impostos pela indenização da usina hidrelétrica de Três Irmãos, cuja receita havia sido contabilizada em 2022. Isso contribuiu para a reversão do lucro de R$ 2,7 bilhões em prejuízo de R$ 317,7 milhões no ano passado.

Os negócios do grupo que lidam com commodities metálicas, principalmente CBA, de alumínio, e Nexa (antiga Votorantim Metais), de zinco, também sofreram com um ciclo mais negativo nos preços. Ambas reverteram lucro líquido em 2022 para prejuízo no ano passado.

“Na equivalência patrimonial, quando reconhecemos o impacto de empresas que não consolidamos no balanço, o BV também teve resultado um pouco menor”, diz o diretor. O BV registrou queda de 21% no lucro líquido, de R$ 1,1 bilhão.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) do grupo, na versão ajustada, foi de R$ 9,6 bilhões no ano, recuo de 8,6%. A receita líquida atingiu R$ 48,5 bilhões, queda de 8,3% sobre 2022.

Cresceu a participação da Votorantim Cimentos, que teve lucro e Ebitda recordes com 2023, nos resultados da holding. A cimenteira respondeu por 69% do Ebitda ajustado, ante 47% em 2022, e 55% da receita, contra 49% em 2022.

“A participação está maior por conta das commodities, que recuaram, e aí o portfólio se ajusta”, afirma Schmidt. Ele lembra que, historicamente, a Votorantim Cimentos tem um peso de 40% a 50% nos resultados do grupo.

A dívida líquida da Votorantim ficou em R$ 10,4 bilhões, estável sobre o ano anterior, com alavancagem (medida pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado) de 1,08 vez, ante 1 vez em 2022.

A expectativa da empresa é que 2024 seja “ligeiramente melhor” do que o ano passado, com demanda aquecida por cimento no exterior, de onde já vem metade da receita da Votorantim Cimentos, e com commodities mais estáveis.

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