Lula diz que Anielle Franco não deve disputar eleição no Rio | Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, não deve ser candidata a nenhum cargo nas eleições municipais deste ano. A declaração foi dada na noite desta terça-feira (2), no ato de filiação da aliada ao PT.

  • Leia mais:
  • Desoneração da folha dos municípios cria ruído entre o Senado e o governo Lula
  • Barroso devolve ação e julgamento sobre foro privilegiado será retomado em 12 de abril

O nome de Anielle era defendido, por alas do PT, para que a ministra fosse indicada como vice na chapa à reeleição do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). A afirmação de Lula, no entanto, serviu de banho de água para quem tentava articular essa composição — esse sentimento foi, inclusive, expressado pelo público que acompanhava o discurso do presidente.

“Eu tenho certeza que ela não tem nenhuma pretensão de disputar nenhum cargo agora em 2024. Ela quer ser ministra até o último momento”, afirmou Lula, causando lamentações entre a plateia do evento.

A filiação de Anielle aconteceu no Circo Voador, na zona central do Rio, e contou com a presença da primeira-dama, Janja da Silva, uma das principais defensoras para que a ministra disputasse com Paes o Executivo carioca.

O prefeito, por sua vez, prefere ter ao seu lado alguém de seu próprio grupo político e resiste em aceitar indicações de outros partidos. O motivo para isso é manter o caminho aberto para concorrer, em 2026, ao governo do Estado.

Para isso, se reeleito, Paes terá que se descompatibilizar e deixar o posto com o vice – e ele prefere que essa pessoa seja alguém de seu núcleo mais próximo, para manter a influência sobre o Executivo carioca.

A declaração de Lula foi dada após o presidente encontrar Paes, nesta terça-feira. Os dois participaram nesta manhã a da inauguração da primeira graduação do Instituto de Matemática Aplicada (IMPA).

Apesar de descartar a possibilidade de Anielle ser candidata neste ano, Lula abriu caminho para que ela se postule a algum cargo público em 2026, quando vão ocorrer as eleições federais e estaduais.

“Anielle é uma jovem e pode construir uma perspectiva política muito importante para o Estado do Rio de Janeiro”, disse Lula, que completou afirmando que, para isso, a aliada deve começar a preparar desde agora:

“Mas, quando chegar perto do final do governo, em 2026, aí pode dar um mexerico nela e ela querer ser candidata a alguma coisa. Então é melhor ela se preparar antes para ser candidata a alguma coisa”.

Na cerimônia, também participaram quadros importantes do partido nacionais e do Rio, como a presidente da sigla, a deputada federal Gleisi Hoffmann; o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macedo; a deputada federal e ex-governadora do Rio Benedita Barbosa e o presidente do PT carioca, Tiago Santana.

Os pais de Anielle, Marinete e Antonio da Silva, compareceram ao evento junto com a sobrinha da ministra, Luyara Santos, filha da vereadora Marielle Franco. A parlamentar, assassinada em março de 2018, foi lembrada ao longo da cerimônia de filiação.

Também estiveram no evento os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e da Embratur, Marcelo Freixo.

Ao não aceitar as indicações, Paes quer evitar que aconteça o mesmo de 2020, quando, em busca de apoio, compôs chapa com Nilton Caldeira (PL). O momento, porém, era outro: o atual prefeito concorria com o então ocupante do cargo, Marcello Crivella (Republicanos), que no pleito anterior, em 2016, havia derrotado o candidato de Paes, o deputado federal Pedro Paulo (PSD). O parlamentar sequer chegou ao segundo turno daquela disputa.

Agora, Paes conta com uma boa avaliação em seu terceiro mandato à frente do Executivo carioca — ele já havia sido prefeito entre 2012 e 2020 — e é apontado como favorito na disputa deste ano.

Em relação à Anielle, outro entrave para as negociações para uma chapa entre a ministra e o prefeito foi o caso Marielle. Um dos supostos mandantes do assassinato da vereadora, o deputado federal Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ), foi secretário de Paes por quatro meses, de outubro passado até fevereiro deste ano.

Chiquinho foi preso no dia 24 de março pela Polícia Federal. Junto com ele, também foi preso seu irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa.

Paes só exonerou Chiquinho da Secretaria de Ação Comunitária após saírem as primeiras notícias de que a família Brazão estava envolvida no assassinato de Marielle. Ainda assim, manteve na pasta os indicados do deputado federal até semana passada. Depois da prisão, o prefeito promoveu uma série de exonerações para tirar os aliados de Chiquinho da secretaria.

A vaga de vice na chapa de Paes também é disputada por outros partidos, como o União Brasil. Para compor com o prefeito, a sigla já até colocou sob a mesa de negociação a possibilidade de um aliado se filiar à legenda. Os nomes mais ventilados são de Pedro Paulo e do presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD).

Nos bastidores, aliados de Paes afirmam que qualquer decisão sobre vice só será tomada em julho, às vésperas das convenções partidárias.

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial — Foto: Rithyele Dantas/MIR
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial — Foto: Rithyele Dantas/MIR

Deixe um comentário