Tecnologia e edifícios preparados ajudam a conter danos de terremoto em Taiwan | Mundo

A capacidade tecnológica que tornou Taiwan uma potência dos chips parece ter ajudado a manter em números relativamente baixos os danos e as baixas no país após o pior terremoto em 25 anos, de acordo com um acadêmico que trabalha na agência de reposta a desastres da ilha.

O terremoto, de magnitude 7,2, atingiu a costa leste de Taiwan nesta quarta-feira (3), ainda de manhã no horário local, matando ao menos nove pessoas e ferindo mais de 900. O tremor destruiu dezenas de prédios no condado de Hualien e sacudiu edifícios em Taipei. Embora o número de mortos possa aumentar — até a tarde de quarta-feira (3) havia notícias de vários mortos —, um terremoto mais suave que atingiu em 2016 matou mais de 100 pessoas, enquanto mais de 2,4 mil pessoas morreram em um grande terremoto em 1999.

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A revisão dos códigos de construção após o desastre de 1999 e as melhoras tecnológicas ajudaram a conter as baixas do terremoto de quarta (3), que ainda pode ter grandes implicações para a cadeia de fornecimento mundial de tecnologia.

Wu Yih-min, professor de geociências da Universidade Nacional de Taiwan e chefe de equipe no Centro Nacional de Ciência e Tecnologia para Redução de Desastres, disse que nos últimos três a cinco anos o sistema de resposta a desastres desenvolvido pela agência ficou mais avançado, atendendo a uma necessidade fundamental em uma das regiões com maiores riscos sísmicos do mundo.

“Taiwan continua a desenvolver essas tecnologias, e temos vantagens”, disse Wu, acrescentando que isso seria mais difícil para regiões sem a mesma força no setor de tecnologia.

De acordo com Wu, o sistema de resposta a desastres da ilha faz um escaneamento de palavras-chave e fotos publicadas on-line, permitindo que o governo mobilize recursos com mais rapidez.

Também é capaz de detectar sinais de telefones celulares em áreas afetadas para rastrear o fluxo de pessoas, enquanto coleta capturas de tela de câmeras de vigilância em toda Taiwan para avaliar os danos.

É o mesmo tipo de capacidade tecnológica que fez da ilha uma peça essencial no mercado internacional de computadores portáteis, placas-mãe e dispositivos de rede. Fabricantes de chips cruciais para o mercado, como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e a United Microelectronics Corp., interromperam as operações em algumas fábricas e evacuaram parte do pessoal.

As fabricantes de chips precisam lidar com frequência com atividades sísmicas e tufões, e a TSMC informou que as evacuações eram parte de seu procedimento padrão.

Quando as fábricas nos centros de ciência de Taiwan estavam sendo construídas, as empresas levaram em conta a atividade sísmica em seus planos e incorporaram um modelo de procedimentos para situações de emergência, segundo um comunicado de Lin Minn-tsong, vice-ministro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan.

Embora mais de 300 mil residências tenham ficado sem energia após o terremoto, a companhia de energia da ilha comunicou ter restaurado a eletricidade para cerca de 70% do total em menos de duas horas. Apenas 3.478 domicílios ainda sofriam de falta de energia até o meio da tarde de quarta-feira (3).

Depois do terremoto, que começou às 7h58, no horário de Taipei, a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, anunciou a criação de um gabinete de resposta emergencial e disse que as Forças Armadas darão apoio às áreas afetadas.

As ligações rodoviárias e ferroviárias para Hualien e em seu entorno sofreram sérios danos e os trabalhadores continuam empenhados em resgatar moradores presos. O terremoto aconteceu logo antes do início de um feriado de quatro dias em Taiwan, pelo festival Qingming, em homenagem aos mortos. Dezenas de milhares de pessoas normalmente viajam para suas cidades natais durante o período. (Tradução por Sabino Ahumada)

Terremoto em Taiwan  — Foto: TVBS via AP
Terremoto em Taiwan — Foto: TVBS via AP

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