Vazamento é inadmissível, diz defesa de Bolsonaro após Coaf apontar R$ 17,2 milhões via Pix | Política

Correção: O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está vinculado administrativamente ao Banco Central e não ao Ministério da Fazenda, como informado na primeira versão deste texto

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) diz que vai buscar medidas judiciais contra os responsáveis pelo vazamento de informações financeiras atribuídas ao ex-presidente. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado nessa quinta-feira (27), aponta o envio de R$ 17,2 milhões por meio de Pix a Bolsonaro neste ano, além de outras movimentações feitas em 2022.

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Para o advogado Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, os vazamentos dessas informações são “inadmissíveis”. “Faz-se necessário identificar quem está entrando na tal sala cofre para que as medidas judiciais sejam tomadas. Quem vazou será criminalizado”, escreveu em suas redes sociais. O ex-presidente não se manifestou.

Na noite de quinta-feira, os jornais “Folha de S.Paulo” e “O Globo” revelaram a existência de relatório do Coaf com informações sobre movimentações financeiras de Bolsonaro e do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. O documento, segundo as publicações, foi enviado à CPMI do 8 de janeiro.

O Coaf, vinculado administrativamente ao Banco Central, é órgão que analisa informações financeiras e emite alertas a autoridades a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro. O fato de o Coaf apontar movimentações não implica, necessariamente, que elas sejam irregulares. A análise cabe aos órgãos competentes.

Segundo a “Folha”, o Coaf indica no relatório que os R$ 17,2 milhões direcionados a Bolsonaro podem ter ligação com “vaquinha” feita por apoiadores para quitar multas judiciais aplicadas contra o ex-presidente — algumas delas pelo não uso de máscaras faciais durante a pandemia de covid-19, em São Paulo.

O jornal “O Globo”, por sua vez, afirma que o mesmo órgão identificou transferência de R$ 800 mil para os Estados Unidos, em dezembro de 2022. No fim daquele mês Bolsonaro deixou o Brasil rumo a Orlando. A mesma publicação teve acesso a relatório que apontou movimentações atípicas de R$ 3,2 milhões de Mauro Cid, consideradas incompatíveis com o patrimônio do militar, cujo salário é R$ 26.239.

A defesa do tenente-coronel afirmou ao jornal que todas as movimentações de Mauro Cid são lícitas e já foram esclarecidas às autoridades.

No início da noite, por meio de nota, Wajngarten e os advogados Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser, afirmaram que o vazamento e a “ampla publicização” das informações “consiste em insólita, inaceitável e criminosa violação de sigilo bancário”. “Nos próximos dias [a defesa] tomará as providências criminais cabíveis para apuração da autoria da divulgação de tais informações”, diz a nota.

Os advogados acrescentam que os valores mencionados no relatório são provenientes de doações de apoiadores e tem “origem absolutamente lícita”.

Um dos filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse haver um “assassinato de reputação sem precedentes” contra o pai e cobrou explicações. “Nunca houve qualquer vazamento, quebra de sigilo ou exposição, sem embasamento, de nenhum ex-presidente na história do país, mas contra Bolsonaro vale tudo”, afirmou em suas redes sociais.

Ex-presidente Jair Bolsonaro ao desembarcar no aeroporto Santos Dumont, no Rio — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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