‘Eu diria a mesma coisa’, afirma Lula sobre comparação entre Israel e Hitler | Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse hoje que repetiria a afirmação que fez a respeito de Israel, ao comparar a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. A fala foi criticada por entidades judaicas e gerou uma crise diplomática, que culminou na humilhação pública do embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, promovida pela chancelaria israelense, e sua posterior convocação por Lula para retornar ao Brasil “para consultas”.

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Rede TV! e do UOL, Lula afirmou que nenhuma morte “é diferente da outra”. E ressaltou que não usou o termo “Holocausto”, que atribuiu a uma “interpretação” do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. E criticou o governante, afirmando não esperar “que o governo de Israel fosse compreender” sua declaração, pois conhece o “histórico” de Bibi e sabe como ele “pensa ideologicamente”.

“Eu diria a mesma coisa. Porque é exatamente o que está acontecendo na Faixa de Gaza. A gente não pode ser hipócrita de achar que uma morte é diferente da outra. Você não tem na Faixa de Gaza uma guerra de um exército altamente preparado contra outro exército altamente preparado. Você tem uma guerra de um exército altamente preparado contra mulheres e crianças”, afirmou o presidente. “Quantas pessoas do Hamas já foram apresentadas mortas? Você inventa determinadas mentiras e passa a trabalhar como se fosse verdade. Primeiro porque eu não disse nem a palavra Holocausto. Holocausto foi a interpretação do primeiro-ministro de Israel, não foi minha. […] Eu não esperava que o governo de Israel fosse compreender. Porque eu conheço o cidadão historicamente já há algum tempo. Eu sei o que ele pensa ideologicamente.”

[A ofensiva israelense se prolonga desde o último dia 7 de outubro, quando um ataque terrotista do Hamas matou 1.200 pessoas em solo israelense. Lula ressaltou o grande número de mortos no enclave palestino, que já se aproxima dos 30 mil, sendo oa grande maioria mulheres e crianças.

“Morte é morte. Eu e o Brasil fomos o primeiro país a condenar o gesto terrorista do Hamas. Mas eu não posso condenar o gesto terrorista do Hamas e ver o Estado de Israel, através do seu Exército e do seu primeiro-ministro, fazendo a mesma barbaridade”, disse. “Nós estamos clamando para que pare o tiroteio, que permita que tenha a chegada e alimento, de remédio, de médico, de enfermeiro. Par a que a gente tenha um corredor humanitário e tratar das pessoas.”

A declaração de Lula foi dada no dia 18, durante visita à Etiópia, após ter dito reiteradas vezes que Israel está promovendo um genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza.

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza não existe em nenhum outro momento histórico, aliás, existiu, quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou o presidente na ocasião.

Em reação, o governo israelense acusou Lula de antissemita, fez publicações contra o petista em suas redes sociais e convocou o embaixador brasileiro para uma reunião, gesto comum na diplomacia quando um governo expressa insatisfação em relação a outro.

A reunião, no entanto, ocorreu no Museu do Holocausto em vez da chancelaria. E, quando Meyer chegou lá, toda a imprensa local o aguardava. Ele recebeu uma reprimenda pública, em hebraico, do chanceler Israel Katz. Sem compreender o idioma, o diplomata brasileiro ficou visivelmente constrangido.

Em resposta, Lula retirou o embaixador de Tel Aviv, convocando-o para consultas, gesto diplomático que aumentou a escalada da crise.

Katz, por sua vez, fez no último domingo um tuíte de agradecimento ao “povo brasileiro”, com uma foto da manifestação promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em que vários dos manifestantes portavam bandeiras de Israel.

A entrevista com Kennedy Alencar foi gravada na manhã de hoje no Planalto e teve o trecho sobre Israel exibido no UOL. A íntegra irá ao ar às 22 horas na Rede TV!.

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