Carteira de crédito do BNDES atingiu R$ 515 bilhões em 2023, diz Mercadante | Finanças

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (29) que a carteira de crédito do banco cresceu R$ 35,5 bilhões entre 2022 e 2023, atingindo R$ 515 bilhões no ano passado. Os resultados completos serão conhecidos na segunda-feira (4), quando o BNDES divulgará o balanço de 2023.

O presidente do BNDES antecipou os dados ao comentar reportagem do Valor, que apontou que os bancos públicos voltaram a ganhar participação no mercado de crédito após oito anos. Os analistas avaliam que o movimento tem mais relação com a desaceleração no setor privado do que com uma retomada forte dos bancos públicos.

De acordo com Mercadante, uma diferença metodológica entre os critérios adotados pelo banco de fomento e o Banco Central para calcular a carteira de crédito da instituição faz com que a os números apresentados pelo Banco Central sejam historicamente inferiores aos calculados pela administração do BNDES.

Os cálculos do BC não contemplam a emissão de debêntures incentivadas, que ficou em R$ 22,8 bilhões em 2023, os créditos desembolsados via Finame (R$ 29,7 bilhões no ano passado) e um residual de R$ 866 bilhões da BNDESPar, empresa de participações do banco, explicou o petista.

“A carteira de crédito do BDNES para o Banco Central hoje é de R$ 472 bilhões. Mas a carteira de crédito incluindo debêntures, uma pequena franja de BNDESPar e o Finame íntegro seria de R$ 515,1 bilhões. Nós tivemos crescimento da carteira de credito de 2022 para 2023 de R$ 35 bilhões a mais”, disse Mercadante na assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o BNDES e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).

Socorro a companhias aéreas

No evento, Mercadante defendeu socorro financeiro a companhias aéreas e criticou o formato de recuperação de empresas previsto na legislação brasileira. Ele destacou que, apesar de terem registrado aumento no número de passageiros no ano passado, as empresas ainda enfrentam impactos do período da pandemia.

“Muitos países já socorreram as suas empresas e o Brasil não o fez. Como nossa legislação é bastante restritiva, duas empresas brasileiras fizeram recuperação nos Estados Unidos. Temos problema regulatório que vamos ter que enfrentar e encontrar soluções”, afirmou.

Ele disse que há discussões em andamento sobre a oferta de crédito ao setor, mas que a administração do banco aguarda definição do governo sobre a disponibilidade de garantias.

“O BNDES precisa de garantias para poder dar o crédito. Há várias discussões em andamento e estamos aguardando uma decisão para que se encontre um caminho eficiente para superar essa fase. Mas quem define é o governo, é o Ministério da Fazenda. O BNDES vai analisar a partir do momento que tiver essa condição”, explicou.

Segundo Mercadante, o ambiente macroeconômico, com a queda da taxa de juros e a inflação sob controle, pode contribuir para a reconstrução das empresas.

Mercadante não comentou as críticas do presidente Lula à administração da Vale. Ontem, Lula disse em entrevista que a Vale não pode ter ‘monopólio mineral’ e precisa ‘prestar contas’ ao Brasil.

Questionado se a mineradora irá se juntar ao BNDES no fundo para minerais críticos, lançado em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), ele se mostrou confiante.

“Seria muito bom ter uma empresa como a Vale participando, empresa que tem muita expertise e muito interesse nessa modalidade. O Brasil tem enorme potencial. Nós estamos bastante otimistas sobre esse fundo”, declarou.

Em novembro do ano passado, o próprio Mercadante havia anunciado que o banco trabalhava em um projeto voltado a minerais críticos em parceria com a Vale. Anunciado nesta semana, o fundo de até R$ 1 bilhão será oficialmente lançado semana que vem, durante uma convenção de mineração no Canadá.

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