‘É provável que haja corte nas taxas de juros em algum momento neste ano’, diz Powell | Finanças

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reconheceu a dinâmica de desaceleração da inflação e reforçou que a postura restritiva da política monetária nos Estados Unidos está pressionando a atividade econômica e a inflação. “Se a economia se desenvolver como o esperado de forma ampla, será apropriado que comecemos a reduzir o aperto monetário em algum momento neste ano”, afirmou.

As declarações de Powell foram dadas na abertura da coletiva de imprensa que seguiu a decisão do Fed desta quarta-feira, que manteve os juros parados no intervalo entre 5,25% e 5,5%. Powell avaliou que a queda da inflação é “uma notícia muito boa”, mas ressaltou que os índices de preços ainda estão em níveis muito altos. Assim, de acordo com o dirigente, o Fed deseja ter mais confiança de que a inflação está indo em direção à meta de 2%.

De acordo com o dirigente, o mercado de trabalho americano permanece aquecido e a oferta e a demanda estão em um equilíbrio melhor. Ele notou, inclusive, que a geração de postos de trabalho nos EUA ainda é sólida, mas desacelerou em relação aos números observados no início do ano passado. Além disso, Powell reforçou que o comitê não olha para o crescimento econômico mais forte como um problema.

Ainda em seu discurso, o presidente do Fed mostrou alguma cautela em relação à redução dos juros. De acordo com o dirigente, o banco central deseja ver mais dados bons. “A questão é se os dados de seis meses estão enviando sinais precisos ou se precisamos de mais dados”, exemplificou. Powell apontou que quase todos os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) acreditam que será apropriado reduzir os juros neste ano, mas reforçou que o Fed está em um modo de “gerenciamento de riscos” para evitar mudanças muito cedo ou muito tarde.

Powell reforçou que os dirigentes do banco central desejam ver mais dados para terem mais confiança de que a inflação está a caminho de atingir, de forma sustentável, a meta de 2%. “Seremos dependentes de dados e olharemos [as condições econômicas] reunião por reunião. E, baseado na reunião de hoje, não penso que é provável que o comitê irá alcançar um nível de confiança suficiente até a reunião de março”, disse Powell, ao se referir a possíveis reduções nas taxas de juros já na próxima decisão, em 13 de março.

Questionado sobre o nível de aperto dos juros e seus efeitos na economia, o dirigente afirmou que os juros reais sobem no momento em que as taxas nominais ficam paradas e a inflação cai, mas ressaltou que o comitê não olha somente para a taxa dos Fed funds e citou a importância das condições financeiras. Powell, contudo, ponderou que não há grande confiança no banco central sobre qual o nível da taxa neutra de juros neste momento.

“O núcleo de inflação está em 2,9%, bem abaixo de onde estava anteriormente. Foi uma queda muito rápida e vai continuar caindo, mas queremos mais dados”, disse Powell, ao se referir aos números do índice de preços de gastos com consumo (PCE). O presidente do Fed ressaltou que os preços elevados contribuem para a infelicidade do consumidor, mas ressaltou que o banco central tem visto um aumento “significativo” na confiança do consumidor americano.

O dirigente também foi questionado sobre o desempenho da atividade econômica e disse que a economia americana ainda não alcançou um “soft landing” (pouso suave). “Ainda temos caminhos para percorrer”, disse o dirigente, ao lembrar que a inflação continua acima da meta de 2%. “Estamos encorajados pelo progresso, mas não estamos declarando vitória neste momento”, disse. Na visão de Powell, o enfraquecimento do mercado de trabalho seria um argumento para uma redução antecipada nos juros. No entanto, ele reforçou que o mercado de trabalho “ainda não voltou ao normal”.

O dirigente reconheceu, ainda, que existem riscos de a inflação estabilizar acima da meta de 2% e, por isso, justificou a manutenção da postura cuidadosa adotada pelo banco central americano. De acordo com ele, o número de eventuais reduções nos juros dependerá da evolução dos dados econômicos.

Questionado sobre o processo de aperto quantitativo (QT) por meio do enxugamento do balanço patrimonial da instituição, Powell afirmou que uma discussão mais aprofundada é esperada para a reunião de março e disse que, até o momento, o QT tem ocorrido “bem”. Powell, porém, ressaltou que os dirigentes do Fed desejam ter certeza de que o trabalho foi realizado “de maneira sustentável”.

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell — Foto: Sarah Silbiger/Bloomberg
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell — Foto: Sarah Silbiger/Bloomberg

Deixe um comentário