Bitcoin cai após decisão do Fomc, mas deve terminar janeiro em alta de 1,4% | Criptomoedas

O bitcoin (BTC) opera em queda após o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manter as taxas de juros dos Estados Unidos entre 5,25% e 5,5% ao ano. Em discurso posterior ao comunicado da decisão, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reconheceu que a inflação diminuiu, mas disse que ela ainda está muito alta e que o Fomc não espera reduzir as taxas até que a confiança na queda da inflação seja sustentável.

Powell fechou quase completamente a porta para um corte de juros na reunião do comitê em março, embora não tenha descartado que o início do ciclo de afrouxamento monetário possa começar no primeiro semestre. “Seremos dependentes de dados e olharemos [as condições econômicas] reunião por reunião. E, baseado na reunião de hoje, não penso que seja provável que o comitê irá alcançar um nível de confiança suficiente até a reunião de março”, afirmou. Um ponto importante é que o chairman do Fed admitiu que o enfraquecimento do mercado de trabalho americano seria um argumento para um corte mais precoce dos juros.

Se a economia se desenvolver como esperado de forma ampla, será apropriado que comecemos a reduzir o aperto monetário em algum momento neste ano”, defendeu Powell. O presidente do Fed enfatizou a necessidade de ter mais confiança de que a inflação está indo em direção à meta de 2% e que não irá se estabilizar em algum patamar pouco acima deste objetivo.

Perto das 17h43 (horário de Brasília) o bitcoin cai 2% em 24 horas, cotado a US$ 42.778 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, apresenta perdas de 3,2% a US$ 2.301, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,72 trilhão. Em reais, o bitcoin registra desvalorização de 2,01% a R$ 212.930, enquanto o ether recua 3,19% a R$ 11.444, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Apesar da queda de hoje, o bitcoin deve fechar janeiro com uma alta de 1,35%, enquanto o ether deve subir 0,92%.

Entre as altcoins (as criptomoedas que não são o bitcoin), o BNB, token da Binance Smart Chain, apresenta queda de 2,6% a US$ 302,18, a solana (SOL) recua 6,4% a US$ 98,75 e a avalanche (AVAX) tem baixa de 4% a US$ 34,80.

No mercado tradicional, o índice Dow Jones cai 0,75% a 38.180 pontos, o S&P 500 recua 1,49% a 4.851 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, registra uma desvalorização de 2,08% a 15.187 pontos.

Segundo Ayron Ferreira, especialista em criptoativos, é importante notar que o ciclo de altas de juros nos EUA chegou ao seu pico e os cortes de juros virão, mas os membros do Fomc não querem ser pegos de surpresa novamente com a inflação. “Ao contrário da última decisão, na qual o mercado reagiu de forma muito otimista, hoje o mercado reagiu de maneira comedida, conforme o discurso de Powell, que foi bem mais conservador com relação à expectativa de inflação e de não terem pressa em cortar os juros”, avalia.

Já Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, destaca que a manutenção das taxas de juros dos EUA no atual patamar era bastante esperada, sem movimentar muito o bitcoin. “A zona de ziguezague da moeda vai agora dos US$ 38 mil aos US$ 47 mil. Esperamos um corte de juros até o meio do ano, que impulsionará todos os mercados de renda variável, em especial as criptomoedas”, diz.

Do lado das altcoins, Vinicius Bazan, head de criptoativos da Empiricus, afirma que o lançamento de novos protocolos foi o grande destaque de janeiro no mundo cripto, na esteira do sucesso do blockchain modular Celestia (TIA) e na volta da atividade à rede Solana. “Neste dia 31 tivemos o lançamento do token JUP, da exchange descentralizada (DEX) Jupiter, da Solana, que chegou a registrar volume de transações na plataforma superior ao da Uniswap, DEX número 1 do mercado. Também tivemos airdrops como o de WEN (memecoin na Solana), Dymension (DYM) e Altlayer (ALT)”, lembra.

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