Juros futuros recuam, mas taxas curtas se afastam das mínimas após fala de Powell | Finanças

À espera da decisão do Banco Central, as taxas dos juros futuros encerraram o pregão desta quarta-feira (31) em queda ao longo de toda a estrutura a termo da curva, em um movimento alinhado ao observado nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries).

Após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ter mantido os juros inalterados e o presidente da instituição, Jerome Powell, ter afirmado que um corte em março é “improvável”, as taxas curtas se afastaram dos menores níveis do dia e acabaram fechando a sessão em níveis próximos da estabilidade.

No fim da sessão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 se manteve aos 9,985%, mesmo patamar do ajuste anterior; a do DI para janeiro de 2026 oscilou de 9,695% para 9,66%; a do contrato para janeiro de 2027 caiu de 9,865% para 9,79% e a do DI para janeiro de 2029 recuou de 10,32% para 10,235%.

O dia foi marcado pela espera dos investidores para a decisão de política monetária do Federal Reserve. Ainda que o desfecho da reunião — o de manter os juros inalterados entre a faixa de 5,25% e 5,55% — fosse amplamente esperado, os sinais da autoridade para as próximas reuniões eram considerados fundamentais pelo mercado.

No comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) retirou sua indicação de que poderia voltar a subir os juros nos EUA, mas também buscou afastar a ideia de que os cortes de juros estariam próximos no país. Na entrevista coletiva que sucedeu a decisão, Powell afirmou que, baseado na reunião realizada nesta tarde, “não penso que é provável que o comitê irá alcançar um nível de confiança suficiente até a reunião de março”, ao se referir a possíveis reduções nas taxas de juros já na próxima decisão, em 13 de março.

Os rendimentos dos Treasuries, assim, fecharam o dia em queda. A taxa da T-note de 2 anos recuou de 4,332% para 4,221%, enquanto a taxa da T-note de 10 anos passava de 4,034% para 3,936%. Segundo o CME Group, a probabilidade implícita de um corte de juros na reunião de março do Federal Reserve recuou de 41,2% para 35,5%.

Vale apontar, no entanto, que as taxas dos Treasuries já exibiam recuo importante ao longo do dia e o movimento já vinha se refletindo no mercado local de juros. Pela manhã, o setor privado dos Estados Unidos criou 107 mil empregos em janeiro, de acordo com levantamento da American Data Processing (ADP), número que ficou abaixo da previsão de 150 mil vagas das estimativas de consenso. Dados do custo da mão de obra nos Estados Unidos também vieram abaixo do esperado.

Outro fator de atenção foi a saúde de bancos regionais na maior economia do mundo. Hoje, as ações New York Community Bancorp (NYCB) fecharam em forte queda, depois que o controlador do Flagstar Bank, banco regional americano, teve prejuízo no quarto trimestre e reduziu seus dividendos para reforçar o capital após a compra dos ativos do falido Signature Bank.

“Continuamos a ver clientes estrangeiros estendendo a duração de suas posições no mercado local de juros e esses fluxos têm sustentado o achatamento da curva que estamos vendo. Resta aguardar a decisão do Copom, não ansiosamente, pois realmente acredito que ela será um ‘não evento’ com o comunicado sendo, basicamente, uma cópia do anterior”, afirma o trader de uma instituição local.

“Continuamos a ver clientes estrangeiros estendendo a duração de suas posições no mercado local de juros e esses fluxos têm sustentado o achatamento da curva que estamos vendo. Resta aguardar a decisão do Copom, não ansiosamente, pois realmente acredito que ela será um ‘não evento’ com o comunicado sendo, basicamente, uma cópia do anterior”, afirma o trader de uma instituição local.

 — Foto: Chronis Yan/Unsplash
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