Brasil tem 12 startups posicionadas na ‘corrida dos unicórnios’ em 2024 | Finanças

Depois de dois anos difíceis para o setor de tecnologia com a escassez de capital provocada pela alta global dos juros, o apetite por risco volta a dar sinais de recuperação. Em um relatório intitulado “Corrida dos Unicórnios”, a plataforma de inovação Distrito destaca 20 startups da América Latina com potencial de atingir o status desse ser mítico, ou seja, ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão. Somente no Brasil são 12, sendo quatro do setor financeiro, as fintechs.

“Nossa metodologia incorpora aspectos macroeconômicos, indicadores setoriais específicos e uma análise qualitativa das startups”, explica Gustavo Gierun, CEO e cofundador da Distrito. De acordo com o executivo, outro fator considerado na “Corrida dos Unicórnios” foi o valor das últimas rodadas de investimento que, estando acima da média do setor e do estágio, refletem a confiança do mercado no modelo de negócio e na proposta de valor da startup.

Em 2023, a única startup brasileira que cresceu no celeiro brasileiro e atingiu o status de unicórnio foi a Pismo, adquirida pela Visa. Em 2022 haviam sido somente duas brasileiras: Neon e Dock. Fundada em 2015, a Pismo – que estava na lista da Distrito no ano passado – oferece uma plataforma de processamento para instituições financeiras e movimenta cerca de 50 bilhões de chamadas de API, lidando com um volume de transações na casa dos US$ 40 bilhões todos os anos.

A Pismo foi criada por Ricardo Josuá, Daniela Binatti, Juliana Motta e Marcelo Parise. Com a aquisição, a Visa buscou se posicionar para oferecer capacidades de processamento e “core banking” por meio de APIs nativas da nuvem, o que cobre produtos como cartões de débito, pré-pagos, crédito e cartões comerciais, unindo o que a startup faz ao seu “core business”. Além disso, a plataforma da Pismo permitirá a Visa oferecer suporte e conectividade para novos meios de pagamento, como o Pix no Brasil. Na ocasião do anúncio, Josuá, que também é CEO da fintech, comentou que a Visa fornece “apoio incomparável” para que a Pismo expanda sua presença globalmente, além de ajuda para “moldar uma nova era de pagamentos e serviços bancários”.

Para este ano, as 12 candidatas brasileiras são Blip, Petlove, Órigo Energia, Omie, Cerc, SolFácil, Buser, CRM&Bonus, QI Tech, Stark Bank, Tractian e Mottu. As outras oito latinas são 99 minutos, Karvi, Frubana, Justo, Klar, Xepelin, Tul e Pomelo. Essas são as 20 mais promissoras, mas a lista completa da Distrito tem 100 startups. Dessas, 49 são brasileiras, 15 colombianas, 14 mexicanas, 11 argentinas e 11 chilenas. Juntas, elas receberam pouco mais de US$ 8,3 bilhões em 386 rodadas de investimento.

Na divisão por segmentos, são 35 fintechs, com modelo de negócios predominante de software re as a service (SaaS), com 40% do total, e atuação voltada para empresas (B2B), com 48%. A maioria (36%) está na série de B das rodadas de aporte e foi fundada em 2019 (17%).

Para Gierun, o panorama reforça a resiliência, capacidade de adaptação e o potencial de crescimento das startups latino-americanas, mesmo diante de desafios econômicos globais. “A região tem grandes desafios sociais e econômicos e baixa maturidade tecnológica quando comparada a países desenvolvidos. O tamanho da oportunidade é enorme para empreendedores, fundos de investimento e empresas que buscam se digitalizar”.

América Latina tem grandes desafios e baixa maturidade tecnológica

— Gustavo Gierun

Existem mais de 1,2 mil unicórnios pelo mundo, sendo 54,7% na América do Norte, 26,8% na Ásia, 13,6% na Europa, 3,6% na América Latina, 0,6% na Oceania e 0,6% na África. O pico do surgimento dessas companhias foi em 2021, com 518 startups atingindo esse status. Em 2022 esse número despencou para 257 novos unicórnios e, no ano passado, apenas 45. Algumas startups até mesmo perderam o status de unicórnio, como a Daki, que fez uma rodada com “valuation” abaixo do aporte anterior (“downround”). A Loft também teve um downround, mas ainda assim se manteve como unicórnio.

Atualmente, a América Latina tem 45 unicórnios, sendo 23 no Brasil. O grupo das fintechs é o com mais representantes na região: 19.

O relatório da Distrito aponta ainda que a perspectiva de ter um unicórnio de inteligência artificial (IA) na América Latina apresenta tanto oportunidades quanto desafios. Atualmente, o mercado de tecnologia está passando por sinais de recuperação, mas ainda é cedo para estimar até que ponto o volume de investimento pode crescer. Porém, a IA parece ser uma oportunidade para startups que desejam ter sucesso no ecossistema. “A ascensão rápida em nível global de unicórnios no setor de IA é notável. Empresas como a estadunidense Jasper, por exemplo, conseguiram atingir uma avaliação bilionária em um período relativamente curto [menos de dois anos]”.

Ainda que não sejam totalmente voltadas para IA, já existem startups na região que atingiram o status de unicórnio e utilizam dessa tecnologia para otimizar seus produtos e serviços nos mais diversos setores. Empresas como Nuvemshop, que oferece soluções para criação e hospedagem de lojas on-line, e Unico, focada em identidades digitais e segurança, são exemplos de startups que utilizam intensivamente tecnologias como IA e “machine learning” para inovar e crescer no mercado, explica o relatório da Distrito. “Entretanto, há desafios significativos a serem superados, especialmente em termos de desenvolvimento de talentos na área de IA. […] A América Latina ainda precisa avançar bastante em termos de letramento digital e formação de profissionais”.

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