Líder, você está cuidando da sua identidade? | Carreira

Em um mundo em constante transformação e complexidade, é importante que os líderes estejam atentos à sua identidade e ao propósito de sua existência. Após observar líderes seniores por mais de duas décadas, é comum questionar o que desejamos realizar durante nosso curto tempo na Terra.

Embora muitos possam seguir suas vidas e carreiras sem se atentarem sobre essas questões, em alguns momentos elas são trazidas à tona por mudanças de posição ou empresa, ou mesmo por tragédias pessoais.

A velocidade cada vez maior e mais frequente com que somos impactados por rupturas e mudanças em nossas comunidades tem consequências sobre a nossa identidade e sua evolução com o tempo.

A identidade é composta por nossas crenças, valores, autopercepção dos nossos superpoderes, mas também dos nossos limites, e como nos vemos e definimos o significado de nossas vidas. Desde o nascimento, trazemos traços e qualidades inerentes, adquirimos experiências e habilidades e desenvolvemos um entendimento do mundo a partir das nossas lentes. Esses fatores formam a base de nossa identidade, que durante muito tempo foi possível classificá-la em profissional e pessoal. Tudo isso dentro de um contexto delineado por nossos papéis e organizações das quais fazemos parte.

No entanto, muitos líderes têm dificuldade de compreender a natureza de sua função, talvez por não apreciarem plenamente as exigências da mesma, em termos de requisitos pessoais ou comportamentos necessários. Ou pode ser uma questão de alinhamento. Será que a pessoa realmente valoriza e exibe os comportamentos para a função? Eles se encaixam totalmente? A autoavaliação pode não ser precisa, lhe faltando preparação ou adequação aos requisitos dela, ou mesmo não percebendo que está pronta para algo maior ou que subestime o desafio da próxima função. E, finalmente, se suas prioridades pessoais e profissionais se enquadram nas demandas da função atual ou futura.

A identidade é composta por nossas crenças, valores, autopercepção dos nossos superpoderes, mas também dos nossos limites, e como nos vemos e definimos o significado de nossas vidas — Foto: Unsplash
A identidade é composta por nossas crenças, valores, autopercepção dos nossos superpoderes, mas também dos nossos limites, e como nos vemos e definimos o significado de nossas vidas — Foto: Unsplash

Para construir uma identidade forte e que se ressignifique ao longo do tempo e das gerações, é importante fazer uma reflexão profunda sobre quem queremos ser e contar com a ajuda de alguém de fora para trazer novas perspectivas. É fundamental que tenhamos clareza sobre nossos valores e princípios, pois eles são a base de nossa identidade e guiam nossas escolhas e ações. Ao definir quem queremos ser, devemos levar em consideração esses valores e princípios, para que possamos construir uma identidade que nos dará capacidade de nos adaptarmos às mudanças de cenário, ampliar nossos repertórios com o tempo, sem perder a nossa essência e quem somos.

James Clear, de “Hábitos Atômicos”, é preciso ao falar sobre os três riscos que impactam nossa identidade:

  • É natural que sejamos influenciados pelas pessoas mais próximas a nós, como familiares e amigos, mas é importante lembrar que devemos ter nossa própria opinião e valores.
  • Seguir a maioria também é um risco, pois pode nos levar a tomar decisões que não são as melhores para nós.
  • E seguir os poderosos pode ser perigoso, pois pode nos levar a agir de forma contrária aos nossos valores e princípios.

É importante que os líderes estejam atentos à sua identidade e aos riscos que podem impactá-la. Ampliar o círculo de relacionamentos, buscar diversidade de opiniões e experiências, e não temer ser diferente da maioria são atitudes que podem ajudar a proteger e fortalecer a identidade. Além disso, é necessário lembrar que o poder é passageiro e que devemos agir de acordo com nossos valores e princípios, sem nos deixarmos influenciar por interesses externos.

A transformação acontece quando colocamos em prática o que aprendemos e refletimos sobre os resultados. Os líderes devem estar abertos a experimentar e sair da zona de conforto, para que possam evoluir e se tornar a melhor versão de si mesmos. Ao se aproximar daquilo que se quer ser, é importante definir um propósito claro e alinhado aos valores e princípios pessoais. Isso ajuda a manter o foco e a motivação, mesmo diante de desafios e obstáculos. Além disso, é fundamental que os líderes se relacionem de forma autêntica e genuína, tanto dentro quanto fora da empresa. Isso ajuda a construir uma rede de contatos sólida e a desenvolver habilidades de comunicação e liderança. É se ressignificar e perpetuar ao longo do tempo sem perder a nossa essência.

Por fim, é importante lembrar que a mudança pode ser difícil e que é preciso deixar para trás algumas crenças para seguir em frente. Mas, ao se concentrar no que se quer destacar e no que se quer dizer, os líderes podem construir uma identidade forte e que se ressignifique ao longo do tempo e das gerações, respeitando sua essência e o impacto desejado na sociedade.

Luis Giolo é head da consultoria de recrutamento executivo Egon Zehnder na Iberia e colider da prática de sucessão de CEOs e conselhos no Brasil.

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