Não precisava ser vidente, diz chefe da PF sobre invasões do 8 de janeiro | Política

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nessa segunda-feira (31) que não precisava ser “vidente” para perceber que o acampamento organizado em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, que reuniu bolsonaristas que não aceitavam o resultado da eleição, iria resultar em atos de violência como o ocorrido em 8 de janeiro, com as invasões das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Ao participar de um evento em São Paulo, sobre os dez anos da chamada lei anticorrupção (nº 12.846/2013), organizado pela Transparência Internacional, Rodrigues foi questionado sobre o 8 de janeiro, que está em investigação pela PF. No Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

“Foi uma escalada, uma coisa planejada para acontecer com as consequências nefastas que tiveram”, disse ele. Rodrigues fazia referência a episódios que antecederam as invasões, como a quebradeira em Brasília no dia 12 de dezembro, data da diplomação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Justiça Eleitoral, e, depois, no dia 24 do mesmo mês, quando uma bomba foi encontrada num caminhão de combustíveis próximo ao aeroporto de Brasília. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão envolvidos com os episódios.

“Era um acampamento de criminosos, que reunia pessoas que estavam tramando um golpe de Estado”, afirmou o chefe da PF. “O que houve foi uma negligência de várias entidades, de vários órgãos públicos, em relação ao acampamento.”

Andrei Rodrigues citou uma reunião realizada pela PF no dia 7 de janeiro, um sábado, para discutir a situação na capital federal. “Verbalizei e inclusive formalizei isso num ofício, dizendo que aquelas pessoas precisavam ser contidas no acampamento, caso contrário elas iriam invadir o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto. Não sou vidente, só estava vendo as coisas”, ressaltou.

Depois, aos jornalistas, o diretor da PF afirmou que o referido ofício foi repassado ao ministro da Justiça, Flávio Dino, que por sua vez o enviou ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Rocha chegou a ser afastado do Executivo distrital por 66 dias por ordem do STF em razão do 8 de janeiro.

“Era um trabalho que deveria ter disso evitado lá em dezembro, quando fomos lá tirar o acompanhamento [a PF acompanhava a PM do Distrito Federal] e fomos impedidos pelo Exército Brasileiro. Quando fomos de novo lá, no dia 8, tinham tanques de guerra no meio das ruas impedindo que a polícia entrasse para retirar as pessoas do acampamento”, disse.

A prisão dos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, que depois se refugiaram novamente no acampamento em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília, só aconteceria em 9 de janeiro. “Fizemos o que pode ser considerada a maior prisão da história do mundo. Foram duas mil pessoas em flagrante e minha gestão tinha começado há uma semana. Foi desafiador”, contou. Segundo dados do STF, 2.151 pessoas foram presas em flagrante em Brasília por causa dos ataques às sedes dos Três Poderes.

Desde então, a PF vem realizando, em conjunto com o Supremo, investigações com foco específico no episódio e seus desdobramentos. A Operação Lesa Pátria, batizada assim por causa do 8 de janeiro, já teve até o momento 13 fases e já resultou na prisão de mais de 200 pessoas, segundo Andrei Rodrigues.

Diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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