Bitcoin e ether despencam mais de 10% em agosto enquanto SEC adia decisão sobre ETFs | Criptomoedas

O bitcoin (BTC) e o ether (ETH) operam em forte queda nesta quinta-feira (31) e acumulam perdas de 10,5% e 10,8% respectivamente em agosto. Hoje, os investidores acompanham o adiamento das decisões da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) sobre os pedidos de lançamento de fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin.

A SEC anunciou que adiou por mais 45 dias a análise dos ETFs de Fidelity, WisdomTree, Invesco, VanEck e Valkyrie.

Esses adiamentos já eram esperados, embora houvesse uma pequena esperança por parte de alguns agentes de mercado de que a SEC pudesse já aprovar algum desses fundos depois da derrota que o regulador teve esta semana em ação movida pelo trust Grayscale. O processo era contra a rejeição que o Grayscale obteve da SEC em 2022 por sua intenção de converter o GBTC em um ETF.

Perto das 17h32 (horário de Brasília), o bitcoin cai 4% em 24 horas, cotado a US$ 26.168 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, tem queda de 2,8% a US$ 1.656, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,09 trilhão. Em reais, o bitcoin tem baixa de 2,44% a R$ 130.139, enquanto o ether apresenta perdas de 1,29% a R$ 8.245, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Em Wall Street, o índice Dow Jones teve desvalorização de 0,48% a 34.722 pontos, o S&P 500 registrou queda de 0,16% a 4.508 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, avançou 0,11% a 14.035 pontos.

Segundo Pedro Lapenta, head de análise da Hashdex, agosto começou como um mês calmo ainda na esteira da notícia de que a BlackRock aplicou para lançar um ETF de bitcoin e lá para metade do mês surgiu uma avalanche de eventos negativos do lado macro ou corporativo.

“Foi a China, com o pedido de proteção contra falência da incorporadora Evergrande nos EUA e os títulos de Tesouro dos EUA, que atingiram rendimentos de 4,2% e 4,3% ao ano, algo que não ocorria há muitos anos”, lembra. Lapenta citou ainda a notícia da liquidação de bitcoins realizada pela SpaceX, que gerou bastante ruído no mercado.

José Gabriel Bernardes, sócio da Fuse Capital, comenta que a decisão favorável à Grayscale no Judiciário americano trouxe algum alívio depois de um mês bastante negativo. “Mais de US$ 120 milhões em posições vendidas foram liquidadas”, destaca.

Já Vinícius Bazan, analista de criptoativos da Empiricus, explica que os destaques de altas entre as altcoins (moedas que não são o bitcoin) são Tom Coin (TMC), que se valorizou em 46%, Hedera (HBAR), com alta de 4,2% e OKB, o token da OKEx, que subiu 3,1%. “Tom Coin vem chamando atenção por ser um protocolo de escalabilidade concorrente do Ethereum, mas acho ruim que era um projeto menor e de junho para julho teve uma injeção muito grande de tokens que aumentou o valor de mercado de US$ 1,8 bilhão para mais de US$ 5 bilhões. Além de ser muita inflação, faz ele subir muito no ranking artificialmente e gera um hype não sustentável”, avalia.

Do lado das maiores quedas, Bazan cita Uniswap (UNI), que caiu 28% após subir muito entre o final de junho e começo de agosto, Litecoin (LTC), que recuou 26% após fazer seu halving (evento programado no qual a recompensa aos mineradores cai pela metade) e o XRP, token para transferências internacionais da Ripple, com baixa de 24%, devolvendo boa parte dos ganhos posteriores à vitória judicial contra a SEC.

Estamos em um mercado em processo de consolidação do bear market anterior, preparando o terreno para um possível bull market, mas até o momento sem muita entrada de investidores de varejo ou institucionais, o que faz com que a liquidez fique comprometida e ocorram esses saltos de preço para cima ou para baixo”, analisa Bazan. Na opinião do analista, setembro será um mês de atenções mais voltadas para bitcoin e ether, os maiores ativos desse mercado, devido à persistência de um baixo volume, o que limita as negociações de altcoins.

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